É preciso ficar em alerta com o tema, principalmente, quem cuida de idosos

O significado do termo suicídio tem origem no latim, na junção das palavras sui (si mesmo) e caederes (ação de matar), ou seja, é um ato que consiste em pôr fim intencionalmente à própria vida. Se comete o suicídio por um excessivo grau de sofrimento causado por vários fatores.

O sofrimento que a pessoa apresenta pode ser proveniente de algum transtorno afetivo, como em quadros de psicose aguda ou depressão delirante. Ela quer acabar com a dor e angústia que vivencia, e não com a vida em si. Essa aflição vem de conflitos intrapsíquicos que perturbam excessivamente quem só consegue ver a morte como recurso.

Os motivos são diversos: alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, ligadas ao isolamento social; psicológicos, como perdas recentes; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica, neoplasias malignas. No entanto, esses aspectos não podem ser considerados de forma separada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde conforme um projeto terapêutico individual. Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão.

Incidência de suicídio entre idosos brasileiros

O suicídio ainda é um tabu em qualquer faixa etária, mas entre idosos onde tantas dificuldades da vida foram superadas, ainda é considerado um assunto muito mais difícil para a família. Torna-se um “segredo”, mesmo todos sabendo, ninguém comenta. Porém é algo que precisa ser falado.

Em todo o mundo, as maiores taxas de tentativas e atos consumados estão nas faixas etárias avançadas. No Brasil não é diferente. Os dados nacionais ainda são escassos, mas evidenciam que o país acompanha a tendência global. O Mapa da Violência 2014, organizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, aponta que, acima dos 60 anos, há oito suicídios por 100 mil habitantes, taxa maior que a registrada entre outros grupos etários. Entre 1980 e 2012 — período avaliado no estudo —, houve crescimento de 215,7% no número de casos entre os idosos. Da mesma forma que ocorre com os mais jovens, os homens são as principais vítimas.

Pesquisas comprovam maior taxa de suicídio entre os homens idosos

Aos 75 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, o índice é de oito a doze suicídios masculinos por um feminino. Outro retrato do tema foi traçado por pesquisadores de sete instituições acadêmicas que, em 2012, publicaram uma edição especial da revista Ciência & Saúde Coletiva com dados quantitativos e qualitativos, coordenados pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Enasp/ Fiocruz).

Um dos trabalhos utilizou o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, para calcular os registros de suicídio de pessoas com mais de 60 anos entre 1996 e 2007. Nesse período, os pesquisadores identificaram 91.009 mortes autoprovocadas, sendo que 14,2% ocorreram entre idosos.

De acordo com pesquisas o idoso não se suicida porque está no fim da vida. Mas quando há doenças degenerativas, com perda de capacidade funcional, dor crônica e perdas afetivas, laços referenciais e suporte. As tentativas de suicídio na terceira idade costumam ser definitivas. Diferentemente de outras etapas da vida, que se pode pensar no suicídio por impulso, por uma dor de amor, um arroubo de fúria, uma tristeza, dificilmente o idoso vai viver esse tipo de situação. Tem um período de tomada racional de decisão.

Em média, o jovem faz 20 tentativas para um efeito, o suicídio. No idoso, são quatro tentativas. Muitas vezes, não há tentativa, é uma ação única e eficaz. Eles usam métodos definitivos. De acordo com a Psicogeriatra Helena Moura (USP) há uma grande lista de fatores que colaboram para o suicídio na terceira idade.  “Perda de saúde, autonomia, produtividade, papéis sociais. Perda de cônjuges, amigos, cuidadores e de outras pessoas nas quais eles depositam confiança. A depressão tem um papel muito importante, assim como as questões de aspectos sociais da terceira idade, como a de estar passando por mais perdas, estar passando pela aposentadoria e não se sentir mais útil, de os filhos terem saído de casa, de ele ter mais dificuldade de se encaixar em uma sociedade como a nossa, que não está ainda muito bem preparada para acolher os idosos”.

Muitas vezes na própria casa o idoso perde o quarto principal, vai pra um quartinho de fundo. Os filhos, quando o levam ao médico, falam por ele, o tratam como criança. O desautorizam diante do médico. O idoso vai perdendo voz, espaço, trazendo para ele uma imensa tristeza e isolamento.

Os idosos precisam de atenção, carinho e afeto da família!

O apoio de parentes e de amigos, incluindo os elos afetivos e os encontros de sociabilidade e lazer, são possíveis causas que podem evitar o suicídio de idosos.  No caso dos homens, ainda é mais agravante com doenças e perdas que levam à invalidez, interrupção do trabalho ou limitação da capacidade funcional. Além disso, soma-se os pensamentos constantes sobre abusos físicos e doenças na família, abuso e violências de gênero e endividamento.

O suicídio entre idosos é uma realidade. Precisamos estar atentos, pois as pessoas com mais de 60 anos têm acesso a medicamentos controlados. Os conflitos familiares, a solidão, as perdas levam a pensamentos suicidas. A tristeza e depressão são aparentes.

E por que esses sinais geralmente são ignorados?

 Porque a família acha que está dando atenção necessária para o idoso quando o deixa aos cuidados do cuidador profissional. E na verdade quando isso acontece diminui o seu tempo de convivência com o idoso sem nenhum integrante da família criar condições para ouvir suas queixas e lamentações.

Não o insere nas reuniões familiares achando que precisa poupá-lo. O idoso com habilidade física, mental e social, mesmo que restrita, deve ser considerado na prática um membro da família como qualquer outro que tem condições de opinar sobre qualquer questão.

 Marta Santos – Assistente Social

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