Já observou o grande número de casos de maus tratos contra idosos que está aparecendo? Parece que a máxima religiosa — “não faça com os outros, o que não gostaria que fizessem com você” — não tem sido respeitada ultimamente. É só fazer uma pesquisa na internet para tomar conhecimento de alguns atos de agressão contra senhores e senhoras.

Como a humanidade ainda não entendeu que todos os caminhos levam para a terceira idade, faz-se necessário, então, conhecer o conceito de violência contra idosos. É preciso, também, conversamos sobre a importância de cuidar bem dos idosos, já que é nesta fase da vida que as pessoas mais precisam de atenção.

Nos próximos tópicos, você vai compreender mais sobre os abusos contra idosos e os tipos de opressão que eles podem sofrer. Continue lendo!

Entenda os maus tratos contra idosos

Em maio de 2017, um vídeo viralizou nas redes sociais. As cenas, que chocaram a população do Maranhão, mostravam ameaças contra uma idosa de 84 anos. O agressor, filho da senhora, intimidava a mãe tanto verbal quanto fisicamente.

Infelizmente, essa é apenas uma das muitas denúncias que chagam aos órgãos de ouvidoria pública. Só em 2015, o Disque 100, serviço do Governo Federal, recebeu 16.014 denúncias de violência contra pessoas de 60 anos ou mais. Os dados mostram que, na maioria dos casos, os abusos são realizados ou por membros da família ou por cuidadores.

Para impedir que atos, como esse, continuem acontecendo, é preciso saber o que diz a lei, além de conhecer os tipos de agressão para poder reconhecê-lo. É o que mostraremos a seguir.

Saiba o que diz a lei

O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), que se destinada a regular os direitos das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, deixa bem claros os tipos de crimes cometidos contra a terceira idade, além de informar as penas para quem os cometem.

Diz o artigo 99 da lei:

“Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado”.

A pena, nesses casos, prevê detenção de 2 meses a 1 ano e multa. Se houver lesão corporal de natureza grave, a pena passa para reclusão de 1 a 4 anos. No caso de morte, reclusão de 4 a 12 anos.

Conheça as agressões mais comuns

Muitos podem até achar que só existe um tipo de violência: a física. No entanto, é preciso entender que há outras formas de abusos, como a psicológica, financeira e negligência.

A seguir, você vai ler sobre as coações mais comuns cometidas contra a população idosa:

Física

É o tipo de intimidação mais conhecido por ser o mais visível fisicamente. Caracteriza-se pelo uso da força, como beliscões, socos, tapas, empurrões. Além de deixarem hematomas e machucados, também podem mudar o humor e comportamento das vítimas. Fique atento, pois muitas vítimas costumam esconder as marcas das agressões.

Psicológica

O ataque físico não vem sozinho. Ele está, normalmente, acompanhado por outro tipo de opressão: a psicológica ou moral. Nesses casos, os idosos sofrem com xingamentos, menosprezados e descriminações. Frases acompanhadas de “velho(a) preguiçoso(a)” ou “velho(a) safado(a)” são normalmente ditas como forma de humilhação. Isso pode causar depressão e tristeza.

Abandono

A negligência ou o abandono são outro modo de violência. Nesse caso, os familiares, cuidadores ou instituição onde eles encontram-se deixam de realizar os cuidados básicos de higiene e auxilio com medicamento. Abandonam os idosos e não dão proteção alguma. Além de se sentirem abandonados, eles podem apresentar algum problema de saúde devido à falta de cuidados pessoais.

Econômica

Apesar de estarem em idade avançada, os idosos têm o direito sobre seus patrimônios e suas finanças. Por isso, não é de boa índole usufruir ilegalmente e sem consentimento das economias deles. Muitos até são coagidos para ter parte em brigas de heranças, sem que levem em conta seus desejos.

Reconheça os maus tratos contra idosos

Se você é um parente carinhoso e que gosta de tratar bem seus entes queridos, em especial os mais velhos, certamente desejará saber como reconhecer casos de violência contra eles.

A primeira coisa que vai precisar saber é que as opressões podem vir tanto dos profissionais responsáveis por eles, como também de entes da família. Mas não adianta tratar mal o cuidador sem ter certeza do que está acontecendo. É preciso observar antes de agir.

Atente ao tom de voz

Um profissional ou parente que coage idosos costuma ter uma forma de falar diferente quando estão sozinhos com eles. Tom de voz alto e insistência para que faça algo que ele não queira é um indício de abuso. Por isso, é essencialmente importante prestar atenção na maneira como falam quando estão a sós.

Procure por machucados ou hematomas

Vítimas de agressão física tentam esconder os sinais de abuso. Mas, antes de fazer acusações, investigue se não caíram, pois isso acostuma acontecer com eles. Então, tente manter uma relação próxima com eles e procure por marcas quando estão tomando banho ou trocando de roupa.

Converse com os idosos sobre o dia a dia

Outra forma de saber se os idosos estão sofrendo com maus tratos é perguntando sobre suas atividades diárias. Se eles mostrarem alguma ansiedade ou mudança de comportamento quando forem abordados sobre o assunto, então é sinal de que alguma coisa anda mal.

Aproveite para saber como anda sua relação com os amigos e entes queridos, pois o afastamento dessas pessoas indica que algo está errado.

Avalie a higiene

A higiene, assim como a perda de peso, é o sinal mais perceptível de negligência. Observe se ele aparece sempre sujo ou com roupas repetidas, se dorme em locais apropriados, se a comida é bem preparada. Para isso, é preciso estar em contato constante com a pessoa e ficar atento a qualquer modificação de comportamento.

Como foi visto, os maus tratos contra idosos ainda estão muito presentes em nossa sociedade. Para exterminá-los, é necessário, primeiramente, reconhecer que essas ações criminosas podem vir tanto de parentes como de cuidadores. Para que isso não continue acontecendo, além de leis que garantam segurança, é preciso ter paciência e contar com a ajuda de profissionais bem preparados para atender às necessidades dos idosos.

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