Médicos da Sociedade de Pediatria do Estado de São Paulo chamam a atenção para o risco do colesterol alto em crianças, problema normalmente associado aos adultos. As causas são hereditariedade, sedentarismo e má alimentação.

O aumento dos níveis de colesterol  no sangue representa uma ameaça à saúde, porque está diretamente associado ao maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. Nessa fase da vida pode começar a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno que levará às doenças cardiovasculares no futuro.

A suspeita de maior risco pode surgir no consultório do pediatra, que, deve indicar o pequeno paciente a um especialista. O tratamento inicial se baseia em mudanças de estilo de vida, como aumento da prática de atividade física, adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) e controle do peso.

Se essas medidas não surtirem efeito, a outra opção é o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos sanguíneos, abaixo de 130 mg/dl.

O diagnóstico e o tratamento precoce compõem um requisito fundamental para que essas crianças não tenham a qualidade e a expectativa de vidas prejudicadas pela doença cardiovascular.

Fazer testes de sangue para avaliar o nível do colesterol em crianças pequenas não era uma prática comum nos consultórios há dez anos. Hoje, os médicos acreditam que cerca de 30% das crianças brasileiras tenham esse problema – não existe estimativa do Ministério da Saúde. Um novo estudo realizado pela West Virginia University nos Estados Unidos reforça a importância de todas as crianças, independente de histórico familiar da doença, terem os níveis de colesterol avaliados e, se necessário, medicadas o quanto antes. Um dos resultados da pesquisa mostra que mais de 1% de todas as crianças da quinta série (com idade entre 10 e 11 anos) apresentaram colesterol alto e 1/3 delas não têm parentes com o problema.

A alimentação inadequada, a falta de atividade física e a genética são os responsáveis por esse desequilíbrio. Já um estudo realizado há algum tempo em Pernambuco com 414 crianças mostrou que 30% delas tinham o diagnóstico – e apenas 4% estavam acima do peso.

Muitas crianças com colesterol alto não estão acima do peso nem têm pais com problemas. 

E preciso um olhar atento porque geralmente a criança nāo apresenta qualquer sintoma. Elas não vão se sentir mais cansadas, ter pressão alta ou sentir dores no peito. E é aí que está o perigo. “Alguns estudos revelam que há deposição de placas de gordura nas artérias ainda na infância”, diz Luiz Eduardo Calliari, endocrinologista do Hospital São Luiz (SP). Na fase adulta ele vai ter mais chances de desenvolver algum problema cardiovascular e circulatório importante. Um estudo com 43.165 clientes de uma empresa que comercializa planos de saúde garante que já entre 2004 a 2008 subiu de 18% para 25,4% a quantidade de pessoas com colesterol alterado.

Mudança de hábito

Melhorar a alimentação da criança é a primeira fase do tratamento – e também da prevenção .Os alimentos que aumentam o colesterol precisaram ser substituídos. Essa mudança, associada à prática de exercícios, ajuda a reduzir o colesterol ruim, o LDL. Saem carnes vermelhas gordurosas, derivados de leite (em especial os integrais), biscoitos recheados, sorvete de massa, frituras e embutidos. Entram azeite de oliva, cereais, leite desnatado, frutas, verduras e legumes.

O mesmo deve acontecer na escola. Em alguns colégios, as cantinas já deixaram de vender alimentos fritos, por exemplo. Em outros, uma nutricionista prepara refeições especiais para os alunos com colesterol alterado a partir do cardápio do dia. A comida não é muito diferente da servida para os outros alunos para a criança não ficar desestimulada a fazer a dieta.

Outro diagnóstico comum na infância é o HDL, o colesterol bom, abaixo do esperado. Ele é importante porque recolhe do sangue as sobras de colesterol, fazendo que não seja depositado nas nossas artérias; ajuda na formação da membrana celular e é base para formação de hormônios sexuais. Essa alteração acontece porque as crianças hoje são mais sedentárias. O ideal é que seu filho faça atividade física todos os dias por pelo menos 50 minutos. Parece muito, mas pense como o tempo passa rápido quando ele está em uma partida de futebol. Se na sua casa não tem espaço, leve seu filho para andar de bicicleta ou inscreva-o em esportes que ele goste. O ideal não é fazer uma atividade intensa, mas, sim, prolongada.

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